Há letras e músicas que fazem sentido a certa altura... Deve ser a fragilidade da alma que clama por palavras e melodias belas, que nos tocam e nos enchem de sentimentos que nos fazem sentir com tal intensidade, fazem-nos sentir uma furiosa vontade de viver, de romper com o que é certo, o que é razão. Essas letras tocam-nos, como um grito mudo, um grito de ajuda, chamada de atenção e ouvir essas músicas vezes sem conta não cansam, quando antes seria tédio. Ao ouvir, imaginamo-nos noutro lugar, num futuro indefinido, deseja-se o vislumbre, o toque, o cheiro doce da pele e o som da voz chamando por nós, deseja-se...
LUA CHEIA (Santos & Pecadores / Hugo Costa)
Fúria de viver
Outra noite
Venha a que vier
O corpo na mão
Quero amar
Despertar no chão
Pum-pum-pulsação
Bate rouca nessa direcção
Faz respiração boca-a-boca
Como quem não quer
Oh lua cheia
Diz-me que é paixão
De sexta-feira
Febre e ilusão
Oh lua cheia
Diz-me que é amor
Porque eu sei de cor
Querer e não ter
Outro corpo nu
(No) corpo que se tem
E ao nascer do só
Sabe bem
Ser de mais ninguém
http://www.youtube.com/watch?v=aaom6BkXE4A
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Epifânia
O mundo é estranho, existem demasiadas variaveis a ter em conta, os porquês deixam de fazer sentido logo após de colocada a pergunta. Hoje veio-me à memória umas das mais belas imagens que guardo, não uma pessoa, porque essa imagem não dá descanso, mas sim a imagem de um avião a descolar no longínquo ano de 2002 em Monte Real ao pôr-do-sol, o sol iluminava o céu mesmo acima da copa das árvores, inundando-o com as cores do fogo e enegrecendo as árvores que umas horas antes preenchiam o horizonte de verde. Abaixo dessa linha muito sumidamente se via a pista de cimento cinza claro riscado com as marcas dos pneus e ao longo dela duas linhas pontilhadas de luz, ouve-se um sumbido e quem sabia consegue adivinhar o barulho de um F100PW220E, ao longe umas outras luzes, umas acendem e apagam constantes e outras não. Em segundos, o zumbido transforma-se em rugido e ao longe descortina-se um cone de luz em chamas com 3 aneis, e então o avião eleva-se acima das copas das árvores outrora verdes e mais nada capta a atenção e vê-se as cores do pôr-do-sol reflectidas no símbolo do nosso trabalho, enchendo a alma com um sentimento incompreendido por nós mesmos e assim alimentando o espírito.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Apocalipse
Será errado desejar o fim de tudo? Desejar a revelação do fim dos tempos, desejar o conhecimento e a compreensão desse conhecimento revelado? O que vale a pena e o que não vale? O mundo não se revela até lá e os Homens permanecem à vela de ventos que não sopram, errantes no erro, ou serei eu que erro incessantemente no erro? Busco por algo que já foi encontrado, algo tão perto e tão inacessível...
Não culpo ninguém, apenas a minha incapacidade de não ver o que me recuso a ouvir, ver e sentir, sou surdo, cego e mudo... "De que servem luzes, tochas e óculos quando o Homem não quer ver".
Não culpo ninguém, apenas a minha incapacidade de não ver o que me recuso a ouvir, ver e sentir, sou surdo, cego e mudo... "De que servem luzes, tochas e óculos quando o Homem não quer ver".
sábado, 21 de agosto de 2010
Cabala
"Quando duas almas se reconhecem realmente, são com um homem que reconhece a sua imagem reflectida num lago" Em O Cabalista de Geert Kimpen
Às vezes a perturbação à superfície do lago não dá para ver qualquer imagem, muito menos reconhecer a própria imagem... O mundo é barulhento, o ruído invade todos os sentidos, até as luzes se transformam em ruído, gotas da chuva caiem na superfície do lago criando milhares de pequenas ondas e da margem do lago atiram-se pedras, que perturbam a superfície e ferem as águas, até a pedra bater no fundo. O que se vê é uma imagem de tal forma distorcida que lembra as nuvens do céu, nós vemos o que queremos ver... E se o mundo se calasse? Seria Morte?
Às vezes a perturbação à superfície do lago não dá para ver qualquer imagem, muito menos reconhecer a própria imagem... O mundo é barulhento, o ruído invade todos os sentidos, até as luzes se transformam em ruído, gotas da chuva caiem na superfície do lago criando milhares de pequenas ondas e da margem do lago atiram-se pedras, que perturbam a superfície e ferem as águas, até a pedra bater no fundo. O que se vê é uma imagem de tal forma distorcida que lembra as nuvens do céu, nós vemos o que queremos ver... E se o mundo se calasse? Seria Morte?
Ícaro ou Dédalo?
Serei Ícaro ou Dédalo?
Serei como Ícaro? Que perdeu a vida por ter voado alto de mais? Ou serei Dédalo? Que perdeu o filho às mãos de uma invenção sua?
Serei como Ícaro? Que perdeu a vida por ter voado alto de mais? Ou serei Dédalo? Que perdeu o filho às mãos de uma invenção sua?
sexta-feira, 11 de junho de 2010
A Odisseia de Dédalo
Dédalo era o pai de Ícaro, o mesmo que voou perto demais do sol e o calor fez derreter a cera que prendia as penas das asas que o seu pai, Dédalo, tinha criado para fugir ao exílio a que estava confinado na ilha de Creta.
Hoje em dia a memória de Dédalo é relembrada todos os dias, de forma silenciosa, quase imperceptivel, um sussurro ao vento... Em todos os aeroportos do mundo descolam aviões, que são o resultado dos sonhos mais antigos da humanidade, que a história de Dédalo e de Ícaro é testemunho. O que não se vê são os herdeiros de Dédalo, os anónimos técnicos que mantém um avião, que garantem que quem voe neles o fazem em segurança. Esta é a história de um deles, um percurso por entre luz e sombra com um fim ainda por descubrir...
Hoje estamos a dez anos do começo desta odisseia... Será arrogância chamar odisseia? Ou será antes uma Ode abominável comparável apenas aos impropérios proferidos contra o Grande Arquitecto Do Universo por Afonso da Maia?
Não começemos pelo inicio... Começaremos em 2003...
Hoje em dia a memória de Dédalo é relembrada todos os dias, de forma silenciosa, quase imperceptivel, um sussurro ao vento... Em todos os aeroportos do mundo descolam aviões, que são o resultado dos sonhos mais antigos da humanidade, que a história de Dédalo e de Ícaro é testemunho. O que não se vê são os herdeiros de Dédalo, os anónimos técnicos que mantém um avião, que garantem que quem voe neles o fazem em segurança. Esta é a história de um deles, um percurso por entre luz e sombra com um fim ainda por descubrir...
Hoje estamos a dez anos do começo desta odisseia... Será arrogância chamar odisseia? Ou será antes uma Ode abominável comparável apenas aos impropérios proferidos contra o Grande Arquitecto Do Universo por Afonso da Maia?
Não começemos pelo inicio... Começaremos em 2003...
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Anseios da manhã
Anseios da manhã é uma música de Ben Harper e foi o título dado a um texto de Hugo, o Pinto, o orgulhoso "dono" de um blog com o nome "Hugo, o Pinto", que por sinal não escreve nada mal! Convém dizer bem dele porque ele é um dos poucos que se digna a ler o meu blog, coisa que acho que faz por obrigação, visto ser primo da namorada dele!! Gozo à parte, ele escreve mesmo bem, vale a pena ler os seus textos.
Em mim os anseios da manhã manifestam-se e prolongam-se pelo resto do dia... Não consigo evitar esta dor que me tormenta, que se sente tão vincada à alma, essa dor alimenta-me ódios, por mim, por outros, para de seguida sentir a ressaca desses ódios, desta vez na forma de frustração, frustração por não dominar paixões e sentimentos primários que o pensamento não soube domar, os anseios da manhã são o começo de uma luta interior em que a vitória dá como recompensa um corpo, não a mente... Essa encontra-se além...
Em mim os anseios da manhã manifestam-se e prolongam-se pelo resto do dia... Não consigo evitar esta dor que me tormenta, que se sente tão vincada à alma, essa dor alimenta-me ódios, por mim, por outros, para de seguida sentir a ressaca desses ódios, desta vez na forma de frustração, frustração por não dominar paixões e sentimentos primários que o pensamento não soube domar, os anseios da manhã são o começo de uma luta interior em que a vitória dá como recompensa um corpo, não a mente... Essa encontra-se além...
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